publicado por [FV] | Sábado, 22 Junho , 1985, 17:44
 
A pintura de Fernando Vidal, feita de cores densas e de gestualismo preciso, expressa com nitidez, e, sem subterfúgios, um certo pendor de agressividade, no seu turbulento jogo descodificador das superfícies e das texturas. Percebe-se o quanto a actividade profissional do designer de comunicação visual informa o traço, estudado e nervoso, e aglutina os efeitos cromáticos, num paisagismo onírico que denuncia as suas fontes eruditas.
Desta conjunção de factores - desenho de fibra gestualizante, e sentido cromático buscando planos decompostos - provém uma pintura singular, produto de experiências sucessivas e, decerto, de muitas investidas goradas.
O produto que aqui se propõe à nossa leitura e contemplação, com toda a sua carga de deliberada agressão textu(r)al, de reinterpretação melancólica dos trechos de realidade quotidiana.
Esta pintura, pois, é um conjunto de sonhos plenos de originalidade formal e de qualidades técnicas. Desvirtuando o posicionamento académico do ex-estudante da Ar.Co e da ESBAL que tenta assumir(-se) desapaixonadamente (n)outros caminhos de traço e de mancha.
Lisboa, 1985
Vitor Serrão
Exposição de Pintura
Museu Tavares Proença Júnior
23 Fevereiro | 16 Março 1985

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