publicado por [FV] | Terça-feira, 01 Janeiro , 2008, 12:30
Vitor Serrão
[crítico de arte | historiador]

A pintura de Fernando Vidal, feita de cores densas e de gestualismo preciso, expressa com nitidez, e, sem subterfúgios, um certo pendor de agressividade, no seu turbulento jogo descodificador das superfícies e das texturas. Percebe-se o quanto a actividade profissional do designer de comunicação visual informa o traço, estudado e nervoso, e aglutina os efeitos cromáticos, num paisagismo onírico que denuncia as suas fontes eruditas.
Desta conjunção de factores - desenho de fibra gestualizante, e sentido cromático buscando planos decompostos - provém uma pintura singular, produto de experiências sucessivas e, decerto, de muitas investidas goradas.
O produto que aqui se propõe à nossa leitura e contemplação, com toda a sua carga de deliberada agressão textu(r)al, de reinterpretação melancólica dos trechos de realidade quotidiana.
Esta pintura, pois, é um conjunto de sonhos plenos de originalidade formal e de qualidades técnicas. Desvirtuando o posicionamento académico do ex-estudante da Ar.Co e da ESBAL que tenta assumir(-se) desapaixonadamente (n)outros caminhos de traço e de mancha.

[1985] Texto para o catálogo da exposição de Pintura no Museu Tavares Proença Júnior, Castelo Branco.
 
 
 
Alexandre Pomar
[crítico de arte]

Sobre papel e em pequenos formatos, uma pintura pacientemente trabalhada na diversificação de texturas e na articulação de planos e luzes, que a sobreposição de plástico parcialmente vela e remete ainda mais para sugestões de impressão fotográfica ou de gravura.

 

[1985] Semanário Expresso (12OUT1985)

 
 
 
 
Rui Aço
[pintor]

Existe uma força crescente na pintura de Fernando Vidal, que ora é serena ou quando menos se espera transborda, explodindo em gigantesca energia.
Com uma temática muito próxima do esboço poético, pode-se verificar de trabalho em trabalho a grande preocupação de assumir a pintura. Pintura, tal como se escreve, pensa e diz.
Insatisfeito, mas persistente na saudável loucura de criar…
Dele se esperam mais coisas. É um bom amigo este Fernando!  
 
[1985] Texto para o catálogo da exposição de pintura na Galeria de Arte Moderna da Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa.

O gesto largo e livre, os traços ora firmes ora subtis, as cores determinantes, a inquietude das formas e as interpelações nelas contidas, mostram-nos a mestria deste senhor do seu ofício, detentor de uma carreira sábia de experiências, sãs loucuras e sucessos adquiridos onde a paixão, a alegria e o sofrimento conjugam o verbo Amar na sua obra.
Este é o Fernando Vidal o pintor, Artista por inteiro.

[2006] Texto para catálogo de artistas da Oficina do Desenho.
 
 

Freitas Cruz
[pintor]
 
Não está ao alcance de todo o artista transmitir com tanta verdade a riqueza e a diversidade do Alentejo.
A suavidade da sua imensidão é enganadora e aparente, e encerra dramas e encantos desvendáveis apenas por quem com ele mantém estreita comunhão.
A poucos é facultada a chave para verdadeiramente decifrar, e extrair com precisão, as subtilezas que o distinguem e que a tantos deixa enfeitiçados.
Fernando Vidal, não sendo alentejano, há muito que deixou irem ali enriquecer-se as raízes da sua Alma.
Pertence ao Alentejo. Pertence-lhe pela forte paixão que por esta terra nutre, mas também por laços de família e de incontáveis amizades que ao longo dos anos ali cultivou.
São por isso diferentes estes quadros desta nova fase na pintura de Fernando Vidal – Vivos.
Vivos, não só pela cor e pelas formas e perspectivas pouco comuns que nos despertam para um novo olhar sobre o que julgávamos já conhecer, mas vivos, ainda, por transmitirem essa centelha fundamental da cumplicidade com as gentes destas paragens e sem a qual o mais belo quadro, a mais bela paisagem, jamais se elevariam como acontece aqui, acima da vulgaridade do mero ‘retrato’ ou ‘natureza-morta’.
 
[2007] Texto para os catálogos das exposições de pintura "Alentejo/Paisagens" em Alter do Chão, Arronches, Avis, Fronteira, Monforte, Nisa, Portalegre, Vila Velha de Ródão e Vila Viçosa.
 
 
 
 
José Mourão
[artista plástico | Artever]
 
Olhar a pintura de Fernando Vidal é como ver ao longe. É abarcar o todo como um pormenor. Visão que parece de todos, mas que cada um constrói em função da sua experiência de observador de paisagens, em sentido lato.
Para nós, há como que um olhar de mirantes que em viagem fixam um momento. Olha-se o instante e vê-se o instantâneo. Pouco importa se é de dia ou de noite, para que a acuidade registe um grande espaço ou algo pequeno e mais próximo.
Ao observar, estas obras, poderíamos cair na tentação de situar lugares, regiões, países, continentes ou universos. Poderíamos fixar-nos no modo de fazer, no modo de apor a matéria. Mas, eis que, surge a sugestão do elemento. Pela cor, pela forma, pelo tempo…
É laranja! É tórrido; É vermelho! É quente; É azul! É frio;
É verde! É cálido; É amarelo! É seco; É castanho! É árido;
É preto! É enigma... E de seguida, em catadupa: o fogo,
o sangue, a água, o ar, a areia, a terra, a escuridão…
Damos mais uma volta e confrontamo-nos com a nossa posição em relação ao espaço. Estamos a ver de frente? De lado? De cima? De baixo? Ou de lado nenhum? De todos os lados em simultâneo é que não. Digamos que estamos a ver de dentro para fora da imagem e, de fora para dentro de nós. Há como que um espalhar o visível. Há como que um vasculhar o indizível. Tudo para que possamos ver de longe.
 

[2009] Texto para o catálogo da exposição de pintura 'Ver de Longe' na Galeria Espaço Artever, Amadora. 


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