publicado por [FV] | Quarta-feira, 14 Novembro , 2007, 14:09

Fernando Vidal - O artista por detrás da obra

 

“Quando pinto, sou autista!”

Homem de convicções fortes e de ideais vanguardistas, Fernando Vidal apela a todos os que observam as suas obras a vê-las “através dos seus olhos”. Considerando a sua pintura “intimista e pouco convencional”, Fernando Vidal afirma que as telas que pinta reflectem-no a si próprio e ao seu modo de estar, acrescentando mesmo que “quem entender a minha obra, entende-me a mim!”. Relatando o modo como interage com a realidade quando está a criar, Fernando Vidal exprime que entra em alienação total, admitindo: ”Quando pinto, sou autista!” E é nessa abstracção que este pintor – paisagista, confere a componente imaginativa à sua pintura, tornando-a tão sui generis e intrigante.
Na exposição “Alentejo-Paisagens”, a planície alentejana surge ilustrada com emoções e cores fortes. Apesar de não ser alentejano, Fernando Vidal vive o Alentejo como sendo seu, retirando toda a inspiração da terra, do fogo, da água e do ar que envolvem a belíssima região. Esta é a sua forma de imaginar a matéria em estreita comunhão com os elementos da natureza. Nesta obra, o Fogo foi o factor mais evidenciado. Fernando Vidal imprimiu na cor vermelha o reflexo dos incêndios que assolaram a planície alentejana na altura em que a pintava, tendo esta realidade influenciado profundamente a sua criação.
Admirar a obra deste artista será, assim, um grande desafio para todos, bem como um convite a decifrarem a mensagem que está implícita por detrás de cada traço…de cada pincelada.
Vera Martins
in, http://jornaldenisa.blogspot.com/2007/11/fernando-vidal-o-artista-por-detrs-da.html


 

 

 

Exposição de Pintura
A L E N T E J O | P A I S A G E N S
Galeria Municipal de Alter do Chão | Palácio do Álamo
10 Novembro | 30 Dezembro 2007

 


publicado por [FV] | Sexta-feira, 27 Julho , 2007, 16:42

Fogo

 

Por maldade, incúria, desleixo, ou destino, o fogo, mais uma vez, deflagrou, avançou em terreno aberto, devastou parte do concelho e esteve às portas de Nisa. Aí estão os campos vestidos e revestidos de castanho, cinza e preto. A alma dos homens tem que tirar o luto e lutar, cobrir-se de verde-esperança, aplicar os ensinamentos aprendidos com os erros, pelejar para que tal não torne a acontecer e para que exploração de urânio não venha continuar o que o fogo começou.
E Fernando Vidal, em exposição de pintura, que esteve patente até 18 de Agosto na Biblioteca Municipal de Nisa, em dez dos dezoito quadros despertou-nos para o fogo que nos pôs diante dos olhos para que cada um a seu modo reflectisse e sentisse as pinceladas castanhas, cinzas, pretas, azuis, verdes, amarelas e vermelhas de sangue que salpicam, dividem, cortam, rasgam, golfam ou enchem completamente os fundos, saltavam das molduras e inundavam os espaços e os espíritos e se misturavam com as labaredas, com o cheiro a fumo e queimado e com o temor, angústia, desespero, raiva, ... do dia 29 de Julho, domingo.
E nas bermas das estradas o pastio por destino, desleixo, incúria …
é acendalha para o fogo.
 

José Dinis Murta*
In Jornal de Nisa em 22 de Agosto de 2007
*
Professor e historiador

 

 

Exposição de Pintura
A L E N T E J O | P A I S A G E N S
Biblioteca Municipal de Nisa
  21 Julho | 18 Agosto 2007

 


publicado por [FV] | Sexta-feira, 27 Julho , 2007, 15:27

Pintor Fernando Vidal
Apresenta a sua obra recente na Biblioteca Municipal de Nisa
Alentejo | Paisagens

O regresso a Nisa do Pintor Fernando Vidal, vinte e dois anos depois, tornou-se quase uma missão obrigatória… Queres explicar-nos porquê?
Apesar de ter nascido em Lisboa, sou um apaixonado pelo Alentejo, por Nisa, e especialmente por Arez, terra que adoptei há 21 anos, quando casei com uma natural da aldeia.
E esta opção criou em mim a convicção de que, num futuro mais ou menos próximo, viremos viver para cá.

Tens, pois, uma comunidade que te conhece bem…
Bem não diria, pois a maioria das pessoas com quem convivo, conhecem-me mas não sabem o que faço.
Penso que este é o momento certo de me abrir completamente e partilhar com todos a minha arte.

Assim sendo, e para que as pessoas possam mais facilmente compreender-te, caracteriza-nos a tua pintura.
Neste conjunto de trabalhos que irei expor em Nisa, dou a conhecer a minha visão poética e introspectiva dos campos alentejanos após os grandes incêndios que assolaram a região em 2003.
Como sabes, eu não pinto o que vejo, mas pinto “como vejo” ou “como quero ver”.
Considero-me um paisagista mas não sou um retratista. Reproduzo apenas o meu imaginário.

Que poderemos observar nos trabalhos que trarás?
Ando a pintar a temática “o FOGO e o ALENTEJO” desde 2005.
E estou neste momento a fazer um périplo, que teve início em Monforte, e irá passar por Arronches, Fronteira, Vila Viçosa, Vila Velha de Ródão, Nisa, Portalegre, Avis e Alter do Chão durante o que resta deste ano.
Para 2008, estou a programar exposições em Ponte de Sôr, Campo Maior, Marvão, Crato, Elvas, Estremoz, Évora, Borba, etc.
Todas estas exposições são, no fundo, o encerramento de um ciclo pictórico e temático do FOGO.
E gostaria de te dizer que logo após a minha exposição de Monforte, que já comecei a pintar de forma diferente, enveredando curiosamente pelo ciclo do elemento ÁGUA. Estou a fazer “inundações”.
Cumpre-se, assim, a teoria de que a ÁGUA “apaga” o FOGO.

Para terminar esta breve conversa, que poderemos saber mais acerca da actividade do Pintor Fernando Vidal?
Sou pintor a tempo inteiro.
Estou num projecto chamado OFICINA DO DESENHO, com os Pintores Rui Aço e Freitas Cruz.
Este projecto Ateliê/Escola, impõe-me a direcção da Galeria de Arte e a responsabilidade da Editora de Arte da mesma.
É nesse espaço de Cascais que tenho o ateliê e pinto a tempo inteiro.

José Molina

In Revista Nisa Viva, Ano 5, Janeiro-Abril 2007

 


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